sábado, 26 de Janeiro de 2008

MORTALIDADE INFANTIL NA LUSOFONIA

Martinho Júnior

SÍNTESE SOBRE O FLAGELO DA MORTE INFANTIL NOS PAÍSES DA CPLP

I – SITUAÇÃO GLOBAL E DA CPLP

A UNICEF acaba de publicar o seu relatório anual de 2008, referente à análise de dados sobre a taxa de mortalidade infantil de menores de 5 anos de 2006 e uma das conclusões a tirar, em relação aos países CPLP, é que 6 deles, Angola, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Cabo Verde, possuem taxas muito acima do admissível, considerando o Brasil como padrão intermédio e Portugal é o único que se afasta para uma posição típica de “país desenvolvido”.

A terrível tabela referente aos países CPLP, entre os 189 países do mundo, é a seguinte:

- 2º - Angola - 260.
- 11º - Guiné Bissau - 200.
- 22º - Moçambique - 138.
- 43º - São Tomé e Príncipe - 96.
- 65º - Timor Leste - 55.
- 83º - Cabo Verde - 34.
- 113º - Brasil - 20.
- 167º - Portugal - 5.

O relatório anual da UNICEF, em relação à Infância, corrobora o relatório anual do PNUD, em relação aos Índices de Desenvolvimento Humano.

A Directora Executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Ann M. Veneman, logo no prefácio do relatório da UNICEF, afirma que “em 2006, pela primeira vez na história recente, a cifra total de mortes anuais entre as crianças menores de cinco anos, foi inferior aos 10 milhões, situando-se na ordem dos 9,7 milhões” e que “isso representa uma redução na ordem dos 60% da taxa de mortalidade infantil, desde 1960”.

Entre os países que mais reduziram a mortalidade infantil, estão colossos populacionais como a China, que conseguiu uma redução de 45 óbitos por 1000, alcançando a cifra de 24 (uma redução de 47%) e a Índia, com uma redução de 34%.

Essas duas potências emergentes, que possuem uma percentagem muito significativa da população mundial, são por si dois dos principais responsáveis pelo relativo êxito alcançado, à frente de outros com muito menos população, como o Bangadesh, o Bhutão, a Bolívia, a Eritreia, o Nepal e o Laos.

Se à escala global, há algumas razões para se argumentar no que diz respeito aos Objectivos do Milénio para 2015, com um optimismo moderado, o mesmo não acontece em relação a 3 dos países do CPLP: Angola, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe, que se situam entre os de maior preocupação não só da UNICEF, mas também de várias Organizações Internacionais com responsabilidade global.

II – A SITUAÇÃO EM TIMOR LORO SAE E EM ALGUNS PAÍSES PRESENTES NO SEU TERRITÓRIO

Já os outros três, Timor Leste, Moçambique e Cabo Verde, parece terem entrado num ciclo mais favorável: Timor Leste conseguiu reduzir a mortalidade em 69% (é a 2ª redução mais drástica, a seguir à registada nas Maldivas, com 73%), Cabo Verde reduziu em 43% e Moçambique em 41%.

A redução da taxa de mortalidade infantil em Timor Loro Sae, julgo que se pode aduzir a partir da evolução histórica do país, que saiu da ocupação que ocorreu após o colonialismo português, sob a ditadura indonésia de Suharto, para uma independência que, perante cada vez mais evidências, sendo tutelada pela Austrália, teve o condão de conduzir para o país, uma ajuda internacional abrangente, com acordos importantes com vários países, sobressaindo Cuba, responsável por cerca de 80% das intervenções de saúde em curso.
A Austrália e a Nova Zelândia, na tabela da mortalidade infantil, são indexadas no 161º lugar (6 mortes por 1000) e Cuba na 157ª posição (com 7 mortes por 1000).

Em toda a América, só o Canadá possui um índice superior ao de Cuba (6 mortos por 1000, como a Austrália e a Nova Zelândia), que está à frente dos Estados Unidos (8 mortos por 1000, na 151ª posição).

A Indonésia ocupa o mesmo lugar que Cabo Verde na tabela global: a 83ª posição, com 34 mortos por 1000.

III – A SITUAÇÃO PERSISTENTE E ESCANDALOSA DE ANGOLA

Apesar da publicidade em termos de crescimento económico, assim como da construção de infra estruturas e estruturas de toda a ordem, Angola não regista uma evolução favorável também nos dados publicados pela UNICEF (tal como os publicados pelo PNUD - Índices de Desenvolvimento Humano) e isso vai ao encontro do que tem sido constatado por mim “no terreno”, conforme têm ilustrado algumas das minhas próprias intervenções.

Angola continua a ser o 2º país mais mortífero para as crianças com menos de 5 anos, no mundo, logo a seguir à Serra Leoa, que é o 1º… em Angola, continua a ser praticamente proibido nascer e isso apesar da ausência de tiros já ir com alguns anos.

Sintomaticamente os dois países mais mortíferos para as crianças, foram os que sofreram o impacto de guerras prolongadas que se podem considerar no quadro das “guerras dos diamantes de sangue”, um anátema que põe em causa as opções de ordem estratégica que o cartel dos diamantes adoptou ao longo das décadas cruciais de 80 e 90: o cartel demorou propositadamente 20 anos para tomar a decisão de certificar os diamantes, de forma a que, com o reconhecimento de sua origem e trajectória, se impedisse que eles fossem usados para fins de guerra!

É evidente que isso reforça as minhas convicções sobre a evolução das conjunturas históricas, económicas e sócio-políticas, não só em Angola, como também em regiões como a África Austral e Central, alimentando o pendor crítico que forçosamente recai sobre as elites locais, regionais e globais, tendo em conta as influências do que tenho definido como o “lobby” dos minerais.

A entrada em vigor do Certificado utilizando os processos de Kimberley, se contribuiu para a ausência de tiros, não impediu contudo o aumento de rapacidade das elites e elas continuam a não dar mostras de estarem aptas a implementarem políticas extensivas, que provoquem uma alteração profunda do actual quadro de seus países e quero-me referir aqui especificamente a Angola, agora atingida pela doença crónica do neo liberalismo.

Em Angola, continua a não se actuar profundamente sobre as causas que resultam em tão mortífera situação e toda a política relativa ao âmbito eminentemente social, abrangendo a saúde, a educação, a juventude e os desportos, entre vários outros sectores de actividade, têm de ser revistas urgentemente, com base em análises responsáveis e muito críticas, factor que parece não agradar às elites, a ponto de, quando publicamente se deu a conhecer a existência do mais recente relatório anual da UNICEF, (o que incluiu uma entrevista com uma sua representante), a TPA omitir o lugar do país na escala da mortalidade…

As “novas” elites angolanas dão mostras simultaneamente de inibições em relação à memória histórica e à compreensão extensiva da evolução das conjunturas económica, social, política e psicológica, “elitizando” o conhecimento e excluindo a participação, no momento em que o fosso das desigualdades aumenta de forma drástica e propositada, com o estímulo dos grandes interesses que tutelam o modelo neo liberal de globalização e tanta influência possuem relativamente à indústria do petróleo e dos minerais, particularmente em relação aos diamantes.

12 comentários:

JT disse...

Oh Martinho tenha dó.

As elites angolanas roubam agora como já roubavam logo após a independência, só que agora o petróleo vale mais.
E roubam o Estado, ou seja o povo.
O neoliberalismo não tem nada a ver com isto. Já acontecia antes de se falar de neoliberalismo.
É ladroagem pura e pronto.
Ganharam o poder e entendem que isso lhes dá o direito a aboletarem-se como puderem. São donos da coutada.
Conhece algum país em que a liberdade seja uma miragem que não seja assim? Escusa de falar de Cuba porque é igual. Sabe quem tem participação económica nos empreendimentos turísticos não sabe? Só não sabe se não quiser.
O processo de licenciamento dos empreendimentos é igualzinho a Angola (tem que ter um sócio local, etc....), só que o turismo não dá tanto como o petróleo ao preço actual.

Anónimo disse...

Agosto 2006

Uma Internacional… da Saúde

Hernando Calvo Ospina
Le Monde diplomatique

Logo após a sua eleição para a presidência da Venezuela, em 1998, Hugo Chávez assinou com o governo cubano um acordo que dá nascimento a um programa maciço de saúde pública, a Misión Barrio Adentro. Desde então, na Venezuela, 14.000 médicos cubanos tratam gratuitamente os mais pobres. Raramente noticiada, esta operação é contudo apenas a ponta do icebergue de uma cooperação sanitária de Havana com as populações desfavorecidas dos países do Sul.

Fim de Agosto de 2005... O furacão Katrina acaba de devastar o Sul dos Estados Unidos. As autoridades são rapidamente ultrapassadas pela amplitude da catástrofe. A governadora do Louisiana, Kathleen Babineaux Blanco, lança um apelo à comunidade internacional para pedir uma ajuda médica urgente. Em Havana, o governo cubano reage imediatamente. Propõe enviar para Nova Orleães, mas também para o Mississípi e para o Alabama, Estados igualmente afectados pelo ciclone, sob a forma de ajuda humanitária e num prazo máximo de 48 horas, um contingente de 1.600 médicos formados para intervir neste tipo de catástrofe. Trarão com eles todo o equipamento necessário e 36 toneladas de medicamentos. Mas esta proposta, bem como a feita directamente ao presidente George W. Bush permaneceria sem resposta, enquanto mais de 1.800 pessoas, sobretudo pobres, morriam, por falta de ajuda e de cuidados.

Este drama está ainda próximo quando, a 8 de Outubro de 2005, o Paquistão conhece, na região da Caxemira, um dos piores tremores de terra da sua história. As consequências humanas e sanitárias são dramáticas, sobretudo nas zonas mais deserdadas e mais isoladas do norte do país. No dia 15 de Outubro, um primeiro contingente de 200 médicos cubanos socorristas chega com várias toneladas de equipamento. Alguns dias mais tarde, Havana expede o material necessário para montar e equipar 30 hospitais de campanha, em zonas de montanha que, na sua maioria, nunca receberam a visita de um médico. Muitos habitantes descobrem a existência de um país chamado Cuba.

TODO COMEÇOU NA ARGÉLIA

Para não ir contra a tradição neste país muçulmano, as cubanas – 44% dos quase 3.000 médicos deslocados para o Paquistão até Maio de 2006 – dissimulam os seus cabelos sob um lenço. O bom entendimento estabelece-se em pouco tempo: muitos paquistaneses aceitam que a sua esposa ou a sua filha sejam tratadas por um homem. No final de Abril de 2006, pouco tempo antes da sua partida, a equipa médica cubana tinha tratado de um milhão e meio de pacientes, principalmente mulheres, e efectuado cerca de 13.000 intervenções cirúrgicas. Só alguns pacientes atingidos por traumatismos muito complexos tiveram de ser transportados para Havana. O presidente Pervez Musharraf, grande aliado dos Estados Unidos e amigo de Bush, agradeceu oficialmente às autoridades de Havana e reconheceu que a ajuda deste pequeno país das Antilhas foi a mais importante de todas as recebidas por ocasião desta catástrofe.

A primeira brigada médica internacional cubana foi formada em 1963. Foi para a Argélia, que tinha acabado de se tornar independente, que se deslocaram então os 58 médicos e técnicos que a compunham. Em 1998, o governo cubano começou a estruturar a ajuda médica maciça às populações de países pobres atingidos por catástrofes naturais. Após a passagem dos ciclones George e Mitch na América central e nas Caraíbas, Havana ofereceu os seus médicos e enfermeiros para trabalhar no âmbito dos programas integrais de saúde. A República Dominicana, as Honduras, a Guatemala, a Nicarágua, o Haiti e Belize aceitam esta proposta.

No Haiti, onde a população humilde conhece uma falta crónica de cuidados médicos, Cuba oferece­‑se para enviar uma ajuda médica maciça. Havana propõe mesmo, em 1998, ao governo francês, antiga potência colonial, uma espécie de associação humanitária para ir em ajuda à população haitiana. Mas Paris guardou silêncio, e optou finalmente, em 2004, por enviar tropas... Cuba mobiliza os seus médicos – 2.500 sucederam­‑se desde 1998 – e tantas toneladas de medicamentos quanto a sua economia frágil lhe permite.

A eficácia e a gratuitidade da ajuda, o facto de estes novos “médicos descalços” intervirem em zonas aonde os seus confrades locais recusam ir (devido à pobreza da “clientela”, à insegurança ou à dificuldade de acesso...) fazem com que outros países, principalmente de África, peçam para beneficiar do programa. O pessoal de saúde cubano é pago pelo seu próprio governo.

De 1963 até ao final de 2005, mais de 100.000 médicos e técnicos de saúde intervieram em 97 países, sobretudo em África e na América Latina [1]. Em Março de 2006, 25.000 profissionais encontravam-se repartidos por 68 nações. Uma mobilização que mesmo a Organização Mundial de Saúde (OMS) não pode assegurar. A organização não governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF), quanto a ela, despachou 2.040 médicos e enfermeiros para o estrangeiro em 2003, 2.290 em 2004 [2]. A isso acrescentam­‑se os cuidados efectuados no próprio território cubano, para onde frequentemente são encaminhados os doentes mais graves de qualquer país. Foi em Havana, por exemplo, que foi tratada Kim Phuc, essa rapariguinha cuja fotografia de Nick Ut tinha abalado o mundo, que corria nua numa estrada do Vietname, a pele queimada pelos bombardeamentos de napalm do exército americano. Cuba recebeu igualmente crianças e adultos, mais de 19.000 no total, vindos das três repúblicas soviéticas atingidas pelo acidente nuclear de Chernobil, em 1986.

Aproveitando a sua experiência na prevenção da SIDA (a predominância é de 0,09% face aos 0,6% dos Estados Unidos, por exemplo), Cuba ofereceu, durando a sessão extraordinária da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) reunida sobre o assunto, em Julho de 2001, «os médicos, pedagogos, psicólogos e outros especialistas necessários para aconselhar e colaborar nas campanhas de prevenção da SIDA e outras doenças. Os equipamentos e kits de diagnóstico necessários para os programas básicos de prevenção da SIDA, o tratamento anti­‑retroviral para 30.000 pacientes...» E, se o projecto fosse adoptado, «seria suficiente que a comunidade internacional contribuísse com as matérias primas para os medicamentos. Cuba não retiraria nenhum benefício, e forneceria mesmo os salários do seu pessoal».

A proposta não foi avante. Mas 8 países de África e 6 Estados da América Latina beneficiam do projecto Intervenção Educativa sobre o VIH/SIDA, que permitiu a divulgação de programas de rádio e/ou de televisão, bem como a possibilidade de mais de 200.000 pacientes serem tratados e mais de um milhão de trabalhadores da saúde serem formados.

Actualmente, uns 14.000 médicos cubanos trabalham em barrios (bairros desfavorecidos) da Venezuela. Entretanto, Caracas e Havana puseram em marcha a operação “Milagro” (“Milagre”) que, durante os dez primeiros meses do ano 2005, permitiu devolver a vista, gratuitamente, a quase 80.000 venezuelanos dos quais muitos, vítimas de catarata ou glaucoma, tiveram de ser transferidos para Cuba para serem operados [3]. O programa diz mais amplamente respeito a latino-americanos e caribenhos atingidos pela cegueira e por outras deficiências oculares. A Venezuela contribui com o financiamento, Cuba com os especialistas, o material operacional e a infra-estrutura para os cuidados aos pacientes durante a duração do seu tratamento na ilha.

Até hoje, nenhum governo, nenhuma entidade privada ou organismo internacional tinha chegado a estruturar um programa médico mundial de tal amplitude, capaz de dar uma resposta a grande escala às pessoas com necessidade de cuidados. No âmbito da operação “Milagro”, está previsto operar aos olhos perto de um milhão de pessoas por ano...

Algumas horas antes de assumir as suas funções, foi com Havana que o novo presidente boliviano Evo Morales assinou, em Dezembro de 2005, o seu primeiro acordo internacional. Criava uma unidade cubano­‑boliviana para praticar cuidados oftalmológicos gratuitos. Para além do Instituto Nacional de Oftalmologia de La Paz, recentemente equipado por Cuba, o programa disporá de um centro médico nas cidades de Cochabamba e de Santa Cruz. Os jovens médicos bolivianos que acabam de obter o seu diploma na Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM) participarão neste programa.

A escola foi inaugurada em 1998, quando Cuba começava a enviar médicos para as Caraíbas e para a América Central. Situada numa antiga base naval, nos arredores de Havana, forma jovens que provêm de famílias pobres de todo o continente americano, incluindo dos Estados Unidos (mas há também centenas de estudantes africanos, árabes, asiáticos e mesmo europeus). As 21 faculdades de medicina de que Cuba dispõe participam nesta formação. Em Julho de 2005, os primeiros 1.610 estudantes latino­‑americanos receberam o seu diploma. Cada ano, uns 2.000 jovens são admitidos na escola. Formação, alimentação, alojamento, bem como os elementos para a prática são-lhes fornecidos gratuitamente. Em troca, devem comprometer-se a voltar ao seu país para tratar dos seus compatriotas [4].

PROTESTOS E PRESSÕES POLÍTICAS

Inspiradas por considerações ideológicas, as ordens de médicos e de oftalmologistas de vários países lançaram campanhas contra esta iniciativa. A revista do Conselho Argentino de Oftalmologia, por exemplo, insurge-se contra os oftalmologistas cubanos: «Não sabemos se são médicos» [5]. De repente, o Conselho anunciou que vai «iniciar as diligências» com ONG humanitárias para financiar um programa semelhante.

Na Nicarágua, quando o presidente Arnoldo Alemán, apesar da amplitude do desastre provocado pelo furacão Mitch, começou por recusar a presença destes activos praticantes cubanos, na Venezuela desde 2002, e na Bolívia actualmente, os médicos ligados aos sectores conservadores – que concebem a medicina como um comércio junto de populações solventes e que recusam deslocar­‑se aos bairros de lata – insurgiram­‑se contra estes “médicos descalços”: «incompetência», «exercício ilegal da medicina», «concorrência desleal»... Em Abril de 2005, uma decisão judicial do Estado brasileiro de Tocantins obrigou 96 médicos cubanos que tratavam de indigentes a partir. Em desacordo com a decisão, o governador do Estado pôde apenas «reconhecer a coragem profissional dos médicos que foram aqui muito bem recebidos e [a quem] devemos agradecer».

Os protestos e pressões políticas das ordens de médicos aumentam à medida que cresce o número de jovens diplomados que chegam das universidades cubanas. Estes novos confrades poderiam fazer cair as tarifas ou mesmo oferecer gratuitamente uma parte dos seus serviços, deixando assim os cuidados médicos de ser um serviço elitista e mercador.

Uma ameaça pende de resto sobre o reconhecimento no estrangeiro dos diplomas obtidos em Cuba. No Chile, muitos jovens formados na ilha não puderam fazer validar os seus títulos médicos devido ao custo demasiado elevado das despesas. Mas, sublinha a BBC, se as Ordens de médicos da América Latina se obstinarem na sua oposição, «poderiam ter dificuldades em obter o apoio de uma população que tem cada vez menos acesso aos serviços de saúde e para quem este projecto aparece como uma pequena luz de esperança na escuridão» [6].

A situação mais difícil refere-se aos estudantes de nacionalidade americana, que arriscam uma pena de dez anos de prisão e multas que vão até 200.000 dólares. As leis do bloqueio proíbem-lhes com efeito a entrada em Cuba! No entanto, no seu país onde 45 milhões de pessoas vivem sem cobertura médica, os estudos para tornar-se médico custam cerca de 300.000 dólares.

Alguns consideram que esta ajuda “humanitária” seria apenas uma operação de propaganda, um “investimento” que permite ao governo de Havana colher apoios diplomáticos inesperados perante a hostilidade persistente dos Estados Unidos. Podem notar, por exemplo, que a eleição de Cuba para o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, criado em Março de 2006, foi conseguida, aquando de uma votação secreta, com o apoio de pelo menos 96 dos 191 Estados-Membros da ONU (enquanto, ao mesmo tempo, as candidaturas da Nicarágua, do Peru e da Venezuela, onde o pluralismo político é respeitado, não foram avante). Perante isso, um diplomata ocidental foi obrigado a reconhecer que o envio de médicos cubanos para o estrangeiro constitui «uma iniciativa que beneficia tantas pessoas que deveria ser aplaudida mesmo pelos seus inimigos políticos» [7].

_____
* Jornalista. Autor, nomeadamente, de Sur un air de Cuba, Le temps des cerises, Pantin, 2005, e de Rhum Bacardi. CIA, Cuba et mondialisation, EPO, Bruxelles, 2000.
[1] Em 2005, os beneficiários do programa encontravam-se nas zonas mais necessitadas de 6 países latino­‑americanos e de 20 países africanos. No fim de 2005, mais de 500.000 partos, de 1.657.867 intervenções cirúrgicas e de quase 9 milhões de vacinações puderam ser realizados.
[2] De acordo com o seu relatório financeiro de 2004.
[3] Na maior parte dos países da região, a operação à catarata custa no mínimo 600 dólares.
[4] Vários projectos unem o governo da Venezuela ao de Cuba. Entre outros, o de formar gratuitamente 10.000 médicos latino­‑americanos por ano, ou seja, 100.000 em dez anos, não apenas em universidades cubanas, mas também em faculdades em construção na Venezuela.
[5] Periódico Informativo Oftalmológico, n.º 37, Buenos Aires, 26 de Dezembro de 2005.
[6] BBC, 5 de Abril de 2001.
[7] BBC, ibid.

http://infoalternativa.org/amlatina/amlatina026.htm

Anónimo disse...

"Fim de Agosto de 2005... O furacão Katrina acaba de devastar o Sul dos Estados Unidos. As autoridades são rapidamente ultrapassadas pela amplitude da catástrofe. A governadora do Louisiana, Kathleen Babineaux Blanco, lança um apelo à comunidade internacional para pedir uma ajuda médica urgente. Em Havana, o governo cubano reage imediatamente. Propõe enviar para Nova Orleães, mas também para o Mississípi e para o Alabama, Estados igualmente afectados pelo ciclone, sob a forma de ajuda humanitária e num prazo máximo de 48 horas, um contingente de 1.600 médicos formados para intervir neste tipo de catástrofe. Trarão com eles todo o equipamento necessário e 36 toneladas de medicamentos. Mas esta proposta, bem como a feita directamente ao presidente George W. Bush permaneceria sem resposta, enquanto mais de 1.800 pessoas, sobretudo pobres, morriam, por falta de ajuda e de cuidados."

O PROBLEMA DO BUSH ERA TERRIVEL POIS QUE A CATASTROFE ERA DE UMA GRANDE DIMENSSAO, E MAIOR SERIA SE TIVESSE ACEITE A OFERTA DO GOVERNO CUBANO.
SEM EMBAIXADA CUBANA NO USA ONDE IRIAM FICAR GUARDADOS OS PASSAPORTES DOS 1.600 MEDICOS E MAIS PESSOAL ASSISTENTE, E AO VOLTAREM QUANTOS CHEGARIAM DE VOLTA A HAVANA?

Margarida disse...

Mas agora a Melissa Anónima acha que haveria algum mal se os médicos Cubanos ficassem a tratar da população de Luisiana? Pode-se saber porquê?

Anónimo disse...

"As elites angolanas roubam agora como já roubavam logo após a independência, só que agora o petróleo vale mais.
E roubam o Estado, ou seja o povo.
O neoliberalismo não tem nada a ver com isto. Já acontecia antes de se falar de neoliberalismo.
É ladroagem pura e pronto.
Ganharam o poder e entendem que isso lhes dá o direito a aboletarem-se como puderem. São donos da coutada".

1 ) Enquanto durou Agostinho Neto e após a sua morte, sensivelmente até 1985, o movimento de libertação e implicitamente o estado angolano, mantinha a presença de correntes que combatiam a corrupção, defendiam o estado de subversões (inclusive a subversão económica) e defendiam-no também do flagelo do tráfico ilícito de diamantes.

2 ) Após 1985, essas correntes foram neutralizadas, precisamente na sequência dum processo que se tornou um marco, o 76/86, em que os oficiais que haviam participado na instauração e investigações do processo 105/83, contra os traficantes ilegais de diamantes, foram detidos e levados a julgamento sob a acusação de "golpe de estado sem efusão de sangue".

3 ) Eles foram condenados a penas maiores e, as transformações políticas internas em Angola, com correntes que deixaram de dar combate à corrupção, começaram aí.

4 ) Coincidentemente, as transformações no que era então considerado de "bloco socialista", onde Angola possúía alguns dos principais aliados, começaram na 2ª metade da década de 80 e esse fenómeno, também com repercussões em Angola, foi acompanhado duma pressão maior das potências ocidentais nas conjunturas da África Austral e internas em Angola, promovendo gradualmente os seus alinhamentos.

5 ) As conversações sucessivas que se foram desenrolando, contribuíram para os esforços político-diplomáticos e de inteligência de potências como os Estados Unidos da América e o seu êxito relativo, explica por que o "lobby" cristão conservador Norte Americano, que apoiava Savimbi, acabou por ser "abandonado", para se assumir a influência directa sobre as "novas elites" angolanas, por cima do cadáver de Savimbi, já com George W. Bush.

6 ) No início da década de 90, acabada a "guerra fria", a globalização neo liberal ganhou espaço, sob a égide dos Estados Unidos, alterando profundamente o comportamento financeiro à escala global e influenciando na ascensão de "novas elites" em todos os países e regiões do globo.

7 ) É nesse quadro que surgiram essas "novas elites" em Angola, uma parte redundante também das próprias conversações e tem sido, ao longo de quase vinte anos, que elas assumiram o comportamento ditado pelo "endeusamento" das teorias liberais de mercado, à custa do próprio movimento de libertação e daquelas correntes que, um dia, haviam ousado combater a corrupção e o tráfico, no quadro das políticas de Não Alinhamento preconizadas por Agostinho Neto.

8 ) À corrupção que cresceu a partir de 1986, juntou-se o comportamento neo liberal, que tem em seu socorro o comportamento de muitas elites por todo o mundo, a começar pela "click" que rodeia George W. Bush, que é preciso não esquecer, pertence a uma das mais antigas famílias Norte Americanas ligadas à exploração e negócios com petróleo.

9 ) Acho que em Angola tudo isso se passa no superlativo, pois Angola é simultaneamente e de facto o "Texas do Golfo da Guiné", como é o país das "minas de Salomão"...

10 ) ...Se calhar o JT queria que, por exemplo, Maurice Tempelsman, ou a família Oppenheimer, personagens do cartel de diamantes, não procurassem repetir em Angola, o que haviam feito no então Zaíre, com Mobutu?!

11 ) O JT dá mostras de propositadamente esquecer dados importantes da história: faz "tábua rasa" do conhecimento histórico e isso só pode ter explicação no facto de ele se assumir como se assumem as correntes que seguem Karl Popper e dão hoje sinal como as "Open Societies", do "filantropo" (?)-especulador que dá pelo nome de George Soros, mentoras das "revoluções coloridas" que se foram registando em particular na Europa do Leste e na Ásia Central...

Martinho Júnior

Anónimo disse...

Eis, a título de exemplo, um texto do "The conservative Caucus", do "lobby" ultraconservador cristão que apoiava Savimbi, utilizando naturalmente os seus próprios óculos:

A SUMMARY REVIEW OF HOW AMERICA BETRAYED ITS FRIENDS AND AIDED OUR ENEMIES IN SUB-SAHARAN AFRICA

1. During the Presidency of Gerald Ford, Henry Kissinger pressured the then anti-Communist government of South Africa (RSA) (working through the traitor, Pik Botha) to halt its imminently successful drive on the Cuban troops which were helping to install a Communist regime to succeed the Portuguese in Luanda, Angola.

2. Ronald Reagan’s Assistant Secretary of State for Africa, Chester Crocker, consistently undercut the Reagan Doctrine, pushing policies designed to facilitate Communist takeovers in RSA and Namibia, as well as in Angola.

3. Mitch Daniels, then Ronald Reagan’s White House Political Director, blocked efforts to sustain President Reagan’s veto of sanctions on the anti-Communist RSA government.

4. Gulf, Chevron, Texaco, and Conoco learned quickly how to entangle prominent Republicans in support of their alliance with Angola’s Communist tyranny. GOP cabinet Secretaries George Shultz and Carla Hills served on the Chevron board, and Condoleezza Rice, now GWB’s National Security Adviser, was not only awarded a seat on the Chevron board, an oil tanker was named after her, which carried oil from Angola to the United States.

5. Taking a bipartisan approach, the Angolan Reds awarded millions of dollars in oil concessions to the family of Senator Ted Kennedy and his nephews, Joseph and Michael Kennedy, each of whom received many hundreds of thousands of dollars in salaries from an Angola-funded entity called the Citizens Energy Corporation.

6. George Bush the elder’s Assistant Secretary of State for Africa Herman Cohen collaborated with the Kennedy-controlled U.S.-Angolan Chamber of Commerce to legitimate the theft of Jonas Savimbi’s election victory in 1992, and to prevent the holding of a Constitutionally required run-off election. Cohen was rewarded after he left the State Department with a $500,000 annual retainer as a registered foreign agent for the Angolan Leninists.

7. Maurice Tempelsman, a diamond broker who served as an agent of influence for the Angolan Communist regime, secured the companionship of Jacqueline Kennedy Onassis, who, for a number of years served as his mistress. Tempelsman was able to use this relationship, in combination with the Angolan oil payoffs to the Kennedy family to secure a completely pro-Communist Angolan policy by the new administration of Bill Clinton, which arranged for U.N. sanctions and follow-up U.S. sanctions on the anti-Communist UNITA freedom fighters led by Jonas Savimbi.

8. As soon as he had the opportunity, President George W. Bush embraced the Kissinger-Crocker-Cohen-Kennedy-Clinton policy on Angola. As with Enron, corruption and betrayal of the innocent is bipartisan. By the way, I neglected to mention that Dick Cheney’s Halliburton reportedly had a $200 million contract with the Angolan Reds. - Howard Phillips


Recolhido por Martinho Júnior

Anónimo disse...

ESTAS ENGANADA MARGARIDA O MEU NOME NAO EH MELISSA MAS SIM MALISSA QUE EH O QUE HA-DE CAIR EM CIMA DE TI E DOS TEUS CAMARADAS PELO QUE FIZERAM EM 1975.

MALISSA 75

Margarida disse...

Desculpe lá o erro no nome, não fiz por mal, mas essa de cair em cima dos meus camaradas é a brincar, não é? Pois se quase 80% esteve a favor da independência e nada quis dos Indonésios, estão muito bem acompanhados e não hão-de ficar muito assustados com a ameaça.

JT disse...

Martinho, tanta conversa, tanto tiro ao lado para nos tentar convencer que coitados, são ladrões do próprio povo por influência adivinhem lá, dos EUA, pois claro.

Ele até queriam ser honestos, mas não conseguiram resistir à pressão.

Só que a corrupção começou logo em 1975 após a independência. Aliás o tal processo 76/86 é disso prova.

Não tem nada a ver com neoliberalismos. É ladroagem pura e da grossa.

Quer acusar o Zimbabué de neo liberalismo também? Então veja lá como o vive e o palácio que mandou construir para endeusar a sua presidência e compare lá com a fome generalizada que passa o povo.

De exportador de alimentos passou à mais absoluta carência alimentar. E nem vale a pena acusar os "farmers" brancos. O pouco que ainda se produz é exactamente nas "Farms" que ainda não foram expropriadas e entregues a antigos combatentes de nada percebem de agricultura, destruiram o que roubaram e continuam sem nada produzir.

E no entanto o Mugabe parece um prícipe das arábias.

É ladroagem pura e mais nada.

Em Angola a escala é maior porque também a riqueza é maior. E com o petróleo ao preço actual então, é um fartar vilanagem.

O conceito é o mesmo, comquistar o poder para enriquecer e ponto final.

O que é que o neoliberalismo tem a ver?

Se começou em 1975...

Anónimo disse...

Margarida a ignorancia e' mesmo atrevida.

MALISSA 75

Margarida disse...

O Malissa é dos que gosta de falar sem nada dizer.

Anónimo disse...

O JT CONTINUA A DESINFORMAR.

1 ) Se em Angola a corrupção existia antes de 1985, então diga como, quando, que corrupção, a que nível, quais os seus intervenientes e onde?


2 ) Mantenho o que acima referi, com conhecimento de causa e afirmo conhecer muitos que se mantiveram íntegros, não se deixando enredar, quer pela corrupção, quer pelo neo liberalismo, quer por algo mais, como por exemplo, o que move o racicínio, a lógica e a propaganda do JT.

Martinho Júnior