domingo, 12 de Julho de 2009

O JULGAMENTO DE ANGELITA PIRES, EM VEZ DE…

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Por ANTÓNIO VERÍSSIMO

Faltam pouco mais de 24 horas para que se dê inicio ao julgamento de Angelita Pires perante a barra do tribunal de Díli. Desde o principio que se sabe ser uma trama que a envolve para ocultar verdadeiros responsáveis dos acontecimentos de 11 de Fevereiro de 2008.

Nessa data, cerca das seis horas da manhã, o presidente da República, José Ramos Horta, foi baleado nas proximidades da sua residência quando regressava dos seus exercícios físicos matinais e por todos conhecidos. Certamente que também do conhecimento de Alfredo Reinado e de elementos do seu grupo de rebeldes. O percurso dos exercícios físicos seriam naturalmente as circunstâncias ideais para atentar contra a vida do presidente se essa fosse a intenção de Alfredo Reinado, nunca a sua casa perante aquela preferencial alternativa. Essa evidência vem contribuir para que se possa deduzir que a intenção de Alfredo Reinado ao entrar naquela manhã em casa de Ramos Horta nada tinha que ver com intenções de o assassinar. Por essa razão suspeita-se desde a primeira hora de que foi preparada uma cilada contra Alfredo Reinado, convocado por alguém para comparecer em casa de Ramos Horta àquela hora. O objectivo teria sido executarem Reinado, o que aconteceu no quintal de Ramos Horta, como é indiciado no relatório de autópsia sobejamente conhecido e também já por nós publicado. Recorde-se que Alfredo Reinado, em vídeo anteriormente divulgado e gravado no interior de Timor-Leste, inculpava Xanana Gusmão da violência e derrube do governo ocorrido em 2006. Vídeo também por nós divulgado.

Considerando o terreno em que Ramos Horta foi baleado, avaliando todas as circunstâncias e a ausência da bala assassina, bem como da alegada arma de Marcelo Caetano – o acusado de ter disparado contra o presidente – peritos em balística defendem a tese de que o disparo pode ter ocorrido à distância através de um “sniper” acoitado em elevações do terreno circundante, o que é bastante plausível mas que nunca foi devidamente considerado nas investigações.

Acresce o facto de o presidente ter ficado estatelado no solo gravemente ferido, visível para os presentes e também para o alegado atirador Marcelo Caetano, que afinal parece que não tinha intenção de o matar e "deixou de prosseguir com a carniça". Se não é assim, como foi ele que disparou? A realidade da situação escaparia efectivamente a um “sniper” por à distância ter visto Ramos Horta cair baleado mas não se ter apercebido que somente estava gravemente ferido. “Para além disso o “sniper” dispara e desaparece do local sorrateira e rapidamente por escapatória anteriormente delineada, neste caso é regra. Julgou tê-lo morto.” Informaram-nos.

COMPLOT PARA INCULPAR UMA INOCENTE

Amanhã, em Díli, terá inicio o julgamento de Angelita Pires, namorada de Alfredo Reinado. Ela é acusada de autoria moral do atentado contra Ramos Horta, surpreendentemente está fora de todos os alegados acontecimentos ocorridos em 11 de Fevereiro, como o alegado atentado ao primeiro-ministro Xanana Gusmão.

Angelita Pires terá de responder pelas seguintes acusações: atentado contra a vida do PR; 12 crimes de homicídio tentado; 7 de homicídio tentado, com especificidades diferentes, e 3 crimes de dano.

Um dos elementos que a PGR leva com alegações contra Angelita Pires é o ex-Comandante da PNTL, Afonso Jesus, que se baseia em falsos testemunhos de que Angelita dormiu com Reinado na noite de 10 para 11 de Fevereiro, de que viajou para a Austrália para recolher fundos para manter o plano de matar o PR e o PM O célebre milhão de dólares) tendo sido com base nestas falsidades que o então comandante Jesus deu inicio à “caça às bruxas” logo em 12 de Fevereiro.

Recorde-se que na sequência do 11 de Fevereiro, na posterior operação “Halibur”, de captura dos rebeldes, então denominados “grupo Salsinha”, qualquer rebelde detido não era apresentado ao juiz dentro das 72 horas, como determina a lei. Primeiramente, iam à "presença de Xanana Gusmão, recebiam "lavagem cerebral" e somente depois de dias e dias eram levados ao juiz para primeiro interrogatório".

Como afirmam avaliadores das situações consideradas anómalas, “no processo, o MP, manipulava as provas e conseguia "mandados de detenção" para dar aparência de legalidade ao acto”.

Apesar da farsa que este julgamento possa representar, para ”ilibar os verdadeiros responsáveis pelos acontecimentos” sabe-se que existe alguma apreensão pelo modo como a justiça timorense funciona. Avaliadores são de opinião de que a “acusação está eivada de nulidades”.

Com que propósito os “rebeldes eram apresentados a Xanana Gusmão pelo tempo necessário e só tardiamente eram dispostos às ordens dos juízes?”, perguntam. Além do mais está amplamente provado que Angelita Pires não tem nenhuma conta no estrangeiro, “é público e notório”, e também que Alfredo Reinado não contactou com ela antes do crime, nem dormiu em sua casa nessa noite. O que demonstra falsas alegações.

A título de memorando recorde-se que o próprio presidente Ramos Horta criou litigio com o tribunal quando exigiu a presença do detido Gastão Salsinha em sua casa, já ele estava na prisão de Becora. Uma estranha exigência clara prepotência e interferência do poder político no poder judicial. Registe-se.

O TLN prepara-se para acompanhar o julgamento de Angelita Pires como lhe for possível. Contamos trazer aqui assiduamente pormenores relacionados com o perceptível julgamento de uma inocente que está a servir de bode expiatório para ocultar presumíveis criminosos, alguns a ocupar posições cimeiras, como é propalado em Timor e se admite desde há um ano.

Há cerca de um mês deram-nos conhecimento de que ex-apoiantes e amigos do ex-major Alfredo Reinado se organizaram para se manifestarem no dia 13, amanhã em Timor, e sessões seguintes, junto ao tribunal de Díli, exigindo que seja feita justiça e que os verdadeiros culpados do 11 de Fevereiro sejam postos a contas com a justiça, até ao momento não recebemos confirmação da desistência ou continuidade deste propósito. Afirmam no entanto e categoricamente que este julgamento de Angelita Pires é uma enorme farsa. Pelo que temos vindo a apurar não são os únicos.
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